O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) permite financiar a graduação em instituições privadas e pagar depois de formado. Mas é dívida: tem juros, regras de carência, coparticipação e riscos. Este guia explica como funciona, quem pode solicitar, custos reais e o que considerar antes de assinar — baseado na Lei nº 10.260/2001, Decreto nº 7.450/2011 e portarias MEC/FNDE vigentes.
O que é o Fies e qual a situação atual
O Fies tem duas modalidades desde 2018 (Nova Lei do Fies, Lei 13.530/2017):
- Fies (juros zero): para renda per capita ≤ 3 SM. Juros = 0% a.a. Financia até 100% da mensalidade (conforme renda).
- P-Fies: para renda per capita ≤ 5 SM. Juros definidos pelo agente financeiro (banco). Financia até 100%.
Regra geral: só pode ter um contrato Fies/P-Fies por vez. Não acumula com Prouni. Sempre confira o edital vigente em acessounico.mec.gov.br/fies.
1. Quem pode participar (requisitos)
Todos cumulativos:
- ENEM: edição mais recente (ou duas últimas) com média ≥ 450 pontos nas cinco provas + redação > 0.
- Renda familiar bruta per capita:
- Fies (juros zero): ≤ 3 salários-mínimos.
- P-Fies: ≤ 5 salários-mínimos.
- Matrícula em curso/instituição aderentes ao Fies (lista no site do programa).
- Não ter diploma de graduação (exceto mudança de curso/instituição — regras no edital).
- Não estar inadimplente com Fies, P-Fies, Prouni ou BNDES.
2. Como funciona o financiamento
| Item | Fies (juros zero) | P-Fies |
|---|---|---|
| Juros | 0% a.a. | Definidos pelo banco (taxa de mercado) |
| Percentual financiado | Até 100% (conforme renda e curso) | Até 100% |
| Agente financeiro | Caixa / Banco do Brasil | Bancos privados credenciados |
| Coparticipação (sua parte) | Mensalidade – parte financiada = paga todo mês à instituição | Mesmo |
| Encargos durante o curso | Sem juros. Paga só coparticipação + seguro prestamista (opcional) | Juros do contrato + coparticipação + seguro |
3. Custos reais que você paga
- Coparticipação mensal: diferença entre mensalidade e valor financiado. Ex.: mensalidade R$ 2.000, financia 80% = R$ 1.600. Você paga R$ 400/mês à faculdade durante todo o curso.
- Seguro prestamista (opcional mas recomendado): cobre saldo devedor em caso de morte/invalidez. Custo: ~R$ 10–30/mês.
- Taxa de abertura de crédito (alguns bancos): verifique no contrato.
Simulação: curso 4 anos (48 meses), mensalidade R$ 2.000, financia 80%. Coparticipação = R$ 400 × 48 = R$ 19.200 pagos durante o curso. Saldo financiado = R$ 76.800 (sem juros no Fies).

4. Fases do contrato: carência, amortização, quitação
| Fase | Quando | O que você paga | Duração |
|---|---|---|---|
| Durante o curso | Enquanto matriculado | Coparticipação mensal + seguro (se houver) | Duração do curso (semestres regulares) |
| Carência (graça) | Após concluir / trancar / desistir | Nada (Fies) / Juros apenas (P-Fies) | 18 meses (Fies) / conforme contrato (P-Fies) |
| Amortização | Após carência | Parcelas mensais (capital + juros se houver) | Até 14 anos (Fies) / conforme contrato (P-Fies) |
5. Renegociação e dificuldades de pagamento
- Renegociação (Lei 14.375/2022): para contratos até 2017, permite desconto de até 99% nos juros/multas, parcelamento em até 150 meses. Consulte Caixa/BB.
- Repactuação: alongamento do prazo, redução da parcela (prolonga dívida).
- Adiamento de parcela: em casos de desemprego/doença (comprovação), até 12 meses.
- Quitação antecipada: sem multa, com desconto proporcional dos juros futuros (Fies juros zero = desconto só no seguro).
6. Diferença Fies x Prouni (resumo)
| Critério | Prouni | Fies |
|---|---|---|
| Tipo | Bolsa (não devolve) | Financiamento (devolve) |
| Custo final para você | Zero (bolsa integral) ou 50% mensalidade | Coparticipação durante curso + saldo financiado após formar |
| Renda máxima | 3 SM per capita | 3 SM (Fies) / 5 SM (P-Fies) |
| Após formar | Nada a devolver | Pagar em até 14 anos (carência 18 meses) |
| Pode acumular? | Não (escolha um) | Não (escolha um) |
7. Riscos de assumir dívida sem planejamento
- Desemprego pós-formatura: carência de 18 meses ajuda, mas se não empregar, parcela vem.
- Renda baixa no início: parcela pode comprometer >30% da renda (regra de prudência).
- Juros no P-Fies: taxa de mercado composta mensalmente — dívida dobra em 7–10 anos se só pagar mínimo.
- Nome sujo / execução fiscal: inadimplência → cadastro no CADIN, protesto, execução judicial, bloqueio de restituição IR.
- Não há “perdão” automático: só renegociação ou quitação resolve.
8. Checklist antes de contratar
- Simulei coparticipação mensal × meses de curso = cabe no orçamento familiar?
- Somei coparticipação + seguro + mensalidade não financiada = valor real mensal?
- Projetei renda esperada 18 meses após formar: parcela Fies ≤ 20–25% da renda líquida?
- Li o contrato todo (especialmente: juros, multa, seguro, renegociação, quitação antecipada)?
- Tenho plano B se não empregar na área (freelance, concursos, outra área)?
- Considerei Prouni primeiro (não devolve)?
- Verifiquei se curso/instituição têm boa avaliação no MEC (Conceito Enade ≥ 3)?
9. Documentos para inscrição (leve originais + cópias)
- RG, CPF, comprovante de residência (90 dias).
- Comprovação de renda de TODOS do grupo familiar (contracheques 3 meses, IRPF, extrato INSS, carteira de trabalho, declaração próprio punho se informal).
- Histórico escolar / certificado conclusão ensino médio.
- Comprovante de matrícula no curso/instituição aderente.
- Contrato de financiamento assinado (digital ou papel) após aprovação.
Quando o Fies não é a melhor opção
O financiamento resolve acesso, não escolha. Se a profissão que você quer paga pouco nos primeiros anos, a parcela pode consumir uma fatia grande da renda inicial — e a dívida acompanha você por muito tempo.
Há situações em que faz sentido esperar ou escolher outro caminho: quando ainda há chance de passar no Prouni, quando um curso técnico público atende o mesmo objetivo com custo zero, quando a instituição oferece desconto por nota ou bolsa parcial, ou quando a renda familiar ainda vai mudar nos próximos meses. Nessas situações, contratar mais tarde quase sempre é melhor do que contratar agora.
Próximo passo
Se o financiamento não for a melhor opção, o próximo passo é planejar seus estudos para concursos públicos — uma carreira com estabilidade e sem dívida. Leia nosso guia sobre Como estudar para concursos: plano semanal para iniciantes.
Continue aprendendo: Prouni e cursos gratuitos online.
Fontes consultadas: Ministério da Educação, FNDE.
Publicado em 05 de outubro de 2026. Atualizado em 06 de outubro de 2026. Base: Lei 10.260/2001, Lei 13.530/2017, Decreto 7.450/2011, Portarias FNDE/MEC vigentes. Próxima verificação: edital da próxima edição.



